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24 de Novembro de 2017

O aborto na visão do STF

Um caso excepcional que mostrou claramente a face da sociedade de "bem"

Marcus Lima, Advogado
Publicado por Marcus Lima
há 3 meses

Recentemente o Supremo Tribunal Federal tomou uma decisão polêmica referente a possibilidade de aborto não contemplada pela legislação vigente. Sobre o tema muitos se manifestaram contra e aqueles que se manifestaram a favor foram execrados pela maioria. Sobre isso é importante fazer algumas considerações sem cair no juridiquês ou no efeito Dunning Kruger do qual muitos sofrem.

O STF não liberou o aborto de maneira geral, apenas relativizou para caso em específico, a decisão só vale para o caso analisado não tendo sido julgado na plenária por meio de repercussão geral. Aliás, o aborto sempre foi permitido em 03 situações sendo 02 jurídicas e 01 jurisprudencial. Em caso de estupro, no caso da gravidez colocar em risco a vida da mãe (que está acima da vida do feto até mesmo no protocolo médico) e em caso de anencéfalos. A decisão do STF apenas elenca uma 4ª situação e respeita o direito da mulher de decidir. É fácil falar que é contra o aborto mas ninguém move um dedo para ajudar as mulheres que passam por dificuldades financeiras e estão grávidas. Entre 850 mil e 1 milhão de mulheres realizam abortos anualmente no Brasil sem ajuda do governo e da sociedade (que se diz cristã mas cospe discurso de ódio contra elas e contra mãe solteira). A decisão do STF apenas fez o que quase nenhum cidadão brasileiro teve capacidade de fazer, dar opção e suporte a elas. A tendência agora é realmente o STF liberar o aborto de maneira geral elevando o Brasil as democracias de 1º mundo que permitem o aborto como por exemplo os EUA (aquele país que o povo critica mas não vive sem Iphone e McDonalds). A sociedade tem que parar de cuidar do ânus e do útero dos outros e começar a cuidar da própria vida. Quem não ajuda não atrapalha. Se voce falso moralista não vai ajudar quem passa por esses problemas então cale-se e não atrapalhe pois é fácil criticar atrás de um computador nas redes sociais sem ajudar. Toda história tem duas versões mas apenas uma verdade e ninguém quer ouvir a versão da grávida ou da mãe solteira, apenas apedreja-la e forjar uma verdade única e suprema com base em falso moralismo

Estamos errados quando criticamos e estamos errados quando deixamos de ajudar. Ninguém é uma ilha em si mesmo e já passou da hora de sermos bem mais solidários com quem passa dificuldade, com quem necessita de ajuda, com quem está desesperado. Criamos uma sociedade tecnológica boa para criticar e "zuar" mas ruim para ajudar e se colocar no lugar do próximo.

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